Desde muito jovem, Tatiana já refletia sobre temas profundos: de onde viemos, para onde vamos, o que é a vida? As respostas, ela buscava nos livros de História, Filosofia, Psicologia, esoterismo, religião, que amava devorar.
Em meio aos estudos sobre meditação, encontrou uma pequena reportagem que abordava a sincronicidade, um conceito elaborado por um certo suíço chamado Carl Jung - nome até então desconhecido por ela.
Correu para a biblioteca e encontrou o tal livro: Sincronicidade. Foi paixão à primeira vista. Obra do acaso? Nada disso. Sincronia. Ali começava uma linda trajetória de descobertas, amor, conexão e, claro, vida.
"Tudo é vida. A psicologia analítica é a efervescência da vida!”
Tatiana Paranaguá é psicóloga clínica e diretora do Centro Junguiando Clínica e Estudo de Psicologia Analítica. Foi, por 17 anos, professora do Departamento de Psicologia da PUC-Rio, onde se graduou e tornou-se mestre em Psicologia Clínica.
Atuou como consultora e comentarista nos programas da Rede Globo, “Encontro com Fátima Bernardes” e "Mais Você", além de participar do programa “Sem Censura”, na TV Brasil, tratando de temas variados ligados à psicologia e cotidiano com linguagem acessível e orientação prática para o grande público. É autora dos livros "Vínculo Fantasma: Os Relacionamentos Voláteis da Atualidade" (Record, 2024) e “A Alquimia dos Arquétipos Femininos” (Record 2026).
A forma simples de transmitir sua sabedoria é uma marca presente em todas as esferas da vida de Tatiana. Seja como professora, palestrante, escritora, psicóloga, mãe ou amiga, segue inspirando todos à volta com brilho e entusiasmo pela vida.
Alguns cursos de Tatiana Paranaguá na Casa do Saber+:
- Em Busca de Sentido Para a Vida
- Arquétipos de Jung
- Como Ressignificar os Relacionamentos?
- O Sagrado Segundo Jung
- As Escolhas Amorosas Segundo Jung
Confira todos os cursos da professora
Uma fuga incomum
Enquanto a maioria dos adolescentes traçavam planos mirabolantes para enganar os pais e comparecer a festas, Tatiana fingia ir à casa da amiga enquanto se dirigia secretamente à biblioteca.
O motivo? Ela morava na Zona Sul do Rio de Janeiro e a biblioteca estava localizada no centro da cidade. Como sabia que a mãe não poderia levá-la e tampouco a deixaria pegar o metrô sozinha, a alternativa era dar as escapadas e matar o tempo buscando livros que abordassem a profundidade do ser humano.
Entre o teatro e a psicologia
Depois de ler “Sincronicidade”, Tatiana se encantou. “Se tinha 2 quilos, eu compreendi 200 gramas”, mas foi o suficiente, brinca Paranaguá, ao comentar sobre o espanto das pessoas ao contar que lera a obra ainda com seus 14 anos.
Dando sequência ao interesse pela obra do psiquiatra suíço, fez a leitura de “Memórias, Sonhos e Reflexões”, uma autobiografia controversa, que ela classificou como “Ame-o ou deixe-o” e que, no caso dela, prevaleceu o “ame-o”.
Entre as paixões de Paranaguá, também estava a arte. Gostava de pintar, fazer esculturas e teatro, atividade que passou a ganhar grande espaço em sua vida.
Em determinado momento, se deparou com um dilema: ou continuava se desenvolvendo no mundo das artes cênicas ou seguia para a faculdade de Psicologia. Meditou - o que hoje tem a noção de que na verdade se tratava de imaginação ativa - e, conversando com o próprio inconsciente, largou o teatro para cursar Psicologia na PUC (RJ).
Na instituição, iniciou uma linda trajetória, que guarda com afeto, onde permaneceu dos 18 aos 49 anos, primeiro como estudante e, posteriormente, como professora.
Jung, cadê você aqui?
Tatiana ingressou na faculdade de Psicologia entusiasmada para aprender mais sobre Jung. Porém, o que se constatou na sequência, foi que por lá não era possível estudar sua teoria com profundidade. Encontrou apenas fragmentos de sua obra.
Seguiu, então, cumprindo as cadeiras exigidas na faculdade e, por fora, complementava os estudos sobre psicologia analítica através de livros e cursos complementares.
Seu estágio clínico, por exemplo, foi na linha da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) , realizado na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.
Ainda que a predileção pela psicologia analítica fosse evidente, ela se recorda de ter aprendido coisas maravilhosas. Validando as experiências vividas, reforça um ensinamento de Jung, que dizia que a teoria não vinha em primeiro lugar, mas sim o paciente.
Família, arte, natureza e viagens: a conexão perfeita
Da mãe, que já se encontra em outro plano, herdou a paixão pela música. Do pai, os livros. Enquanto as bases de sua trajetória foram forjadas através da herança afetiva e cultural proporcionada pelos pais, vem construindo novos alicerces ao lado do marido, com quem está casada há 30 anos, os três enteados e os filhos Luísa, de 26 anos, e David, de 24 anos.
“A minha ‘pós-pós-graduação’ é a minha família. Eu não seria a analista que eu sou, a professora que eu sou, se eu não tivesse minha família . Isso não está nos bancos ou nos livros. Isso se conecta com os bancos e livros”.
Por parte dos filhos, nenhum optou por trilhar o mesmo caminho profissional da mãe. Luísa está na reta final do curso de Medicina, enquanto David acabou de se graduar em Comunicação Social.
“Não fico doutrinando meus filhos com psicologia. Na minha casa eu sou eu. Mas eles respiram isso…”.
Tanto é assim que, mesmo sem nunca ter dedicado um tempo para ensinar a teoria diretamente para os filhos, um dia escutou Luísa explicando para as amigas o que era um arquétipo, desconstruindo a ideia de que era possível evocar “o arquétipo da sereia”. Deve ter dado um orgulho danado para mãe, hein?
Amor por pets e natureza
Desde criança, Tatiana era a criança que amava andar descalça, ajudando na criação de cabras e subindo em árvores. Até hoje, sente a necessidade de “ir para o mato” de vez em quando.
Em seu apartamento, é possível encontrar plantas e flores espalhadas por todos os cantos.
Quem também é presença garantida são os cãezinhos. Normalmente, tem a companhia de dois amiguinhos de quatro patas. Porém, uma delas fez a passagem há 2 anos, então, no momento, conta com a alegre presença de Chiara (que já até deu o ar da graça em algumas aulas dos clubes do livro).
Como uma boa carioca, também ama calçar os seus chinelos e dar um pulo na praia junto com a cachorrinha.
Arte, pintura (e até marcenaria)
Dentro dos hobbies de Tatiana, estão incluídos a pintura e esculturas. Também adora passear por sebos e ir a shows de música ao vivo.
Além disso, revelou gostar de marcenaria. Certa vez, conta ter cismado que queria uma estante com o desenho Fibonacci para o seu escritório. Como não achou uma pronta para comprar, arrastou o marido para a loja, desenhou todas as medidas, escolheu a madeira, cortou e montou toda a estante.
A cozinha como extensão do afeto
Para além do contato com a natureza, a vibe “natureba” também sempre a acompanhou na cozinha. Preparava comida orgânica para os filhos e nem mesmo usava o micro-ondas. “Agora eu já sei que posso usar. Quando eles eram pequenininhos, eu não sabia se tirava os nutrientes, então resolvi não utilizar”, comenta aos risos.
Quando pode, adora cozinhar. Alguns de seus pratos que arrancam mais elogios são o peixe com legumes e o bolo de queijadinha.
Outro traço marcante é a sua paixão pelo café. Gosta de saber de onde veio, qual a torra, além de adorar reunir os amigos em casa ou encontrar em lanchonetes e restaurantes para tomar um cafézinho.
Uma conversa com Jung sobre a crise de sentido
Se pudesse escolher qualquer pessoa ou personagem histórico do mundo para conversar, Tatiana escolheria conversar com… Carl G. Jung!
Como uma pessoa de hábitos diurnos, certamente o arrastaria para tomar um café e, entre os assuntos do papo, estariam a desconexão com a natureza e a crise de sentido - além de indagá-lo sobre sua leitura sobre a era de aquário.
“Acessível sempre, raso nunca!”
Em sua trajetória, Tatiana já lecionou para universitários, palestrou para centenas de pessoas, ministrou clubes do livro e escreveu livros. Em suas aulas, costuma repetir o lema: “acessível sempre, raso nunca”. É isso o que ela coloca em sala de aula e também em seus livros.
“Eu não tenho muito interesse em escrever para os pares, mas conviver com os pares. Eu dou aula de clínica, mas para escrever, acredito que a grande missão é que outras pessoas tenham acesso àquele conhecimento.”
E é exatamente este tipo de encontro que criou uma simbiose tão interessante entre Tatiana Paranaguá e a Casa do Saber. A relação teve início em 2018, quando ainda ocorriam as aulas presenciais na Casa do Saber Rio.
Como ela lembra, diferente de lecionar uma disciplina obrigatória para estudantes em uma faculdade onde nem todos estão necessariamente interessados em psicologia analítica, na Casa do Saber é possível conversar com um público geral que genuinamente se interessa por aprender sobre o assunto.
Atualmente a professora conta com nada mais nada menos do que 10 cursos na plataforma Casa do Saber +, além dos clubes do livro e diversas aulas ao vivo e participações especiais em lives.
“É uma responsabilidade muito grande você tocar a vida de uma pessoa sem nem saber que está tocando - e elas dão muito esse retorno“, comenta.
Como lembra de forma bem humorada, por conta dos cursos da Casa, já foi parada na rua diversas vezes, além de ter sido abraçada compulsoriamente por algumas pessoas. “Como a gente está no Rio de Janeiro - cidade que eu amo, mas há o medo de assalto - eu já me assustei algumas vezes, né?” , brinca Paranaguá.
O carinho dos alunos é facilmente identificado nas avaliações de suas aulas nos cursos da Casa:
Leveza, clareza, conhecimento e propriedade com o conteúdo. Um ótimo caminho para ampliação profissional e pessoal.
Me fez perceber que o todo, contribuiu de uma certa maneira, para eu olhar quem eu sou, um ser com a minha própria individuação, e que não significa que você pode estar errado ou certo, na sua construção mental, emocional, e física.
Poxa, que professora fera. Amei só esta aula inicial. Uma explicação muito precisa, sem redundâncias, sem prolixidade. Mostrando autodomínio de conteúdo e autoridade no discurso. Gosto das aulas que abordam a natureza do conhecimento humano e suas raízes que marcam a evolução da sociedade.
Sou analista freudiano/lacaniano, mas não resisto aos saberes sussurrados feito um passarinho que canta alegremente a psicologia analítica, parabéns, Tatiana.
Tatiana, a contadora de contos
Paranaguá já havia ministrado algumas aulas ao vivo focadas em análises de contos como “Sapatinhos Vermelhos” e “Barba Azul” pela Casa do Saber.
Porém, a primeira edição do clube do livro sobre “Mulheres que correm com lobos”, de Clarissa Pinkola Estés, foi um verdadeiro marco em sua vida. O sucesso foi tanto que rendeu até mesmo uma segunda edição do clube sobre o mesmo livro.
Se antes era reconhecida principalmente por transmitir o pensamento de Jung de forma acessível com o estudo a respeito do sagrado, agora ela assumia uma nova faceta: Tatiana, a contista!
E é nesta mesma pegada que Tatiana lançou o seu novo livro “A Alquimia dos Arquétipos Femininos”, que ganhou um clube do livro totalmente dedicado a ele na Casa do Saber.
Como o ditado diz: “quem conta um conto, aumenta um ponto”. Cada nova aula de Tatiana tem um brilho diferente. Novas observações, motivos para refletir e chances para pensar uma vida mais leve.
Que venham mais e mais pontos, pois nós não nos cansaremos de aprender e de ouvi-la.

Verifique sua conexão e tente novamente.
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