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O diário de uma atormentada na psicanálise

O diário de uma atormentada na psicanálise

O ano era 1995. Uma adolescente vassourense de 17 anos tapava os olhos enquanto fazia uni-duni-tê para “sortear” o que iria prestar no vestibular. A jovem Fernanda Samico não tinha ideia do que queria fazer da vida, mas tinha um objetivo claro: ser aprovada em qualquer curso superior que a permitisse deixar sua cidade natal.

Eu nunca me encontrei muito aqui no meu território - e sigo assim até hoje”, pondera descontraidamente a psicanalista, que, apesar de várias reviravoltas na vida, acabou por retornar à Vassouras (RJ) anos mais tarde, onde vive atualmente.

Enquanto ela contava sobre a pequena cidade com cerca de 35 mil habitantes - “desde quando foi fundada, não cresceu” - eu observava que Fernanda já acumula, em sua conta de Instagram, um número de seguidores quase duas vezes maior do que a população do município.

Apesar da carreira consolidada e grande atuação na difusão da psicanálise no país, por lá, é conhecida mesmo como a filha do Bira, comerciante aposentado, e da Maria Luísa, ex-bancária. “Aqui meus pais são muito mais conhecidos do que eu.

E foi numa conversa descontraída realizada por videoconferência que eu e a também jornalista Isabele Barbosa pudemos conhecer um pouco mais sobre a perspicaz e espirituosa Fernanda Samico.

Retrato de mulher sorrindo em ambiente interno com fundo desfocado
Foto da psicanalista Fernanda Samico

Psicóloga e psicanalista, é mestre e doutora em psicanálise pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e graduada em psicologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

É também autora do livro "Complexo de Édipo e Sexualidade" (Sinthoma, 2024), além de ser a coordenadora acadêmica da pós-graduação Psicanálise, Cultura e Sociedade, oferecida pela Casa do Saber em parceria com a FESPSP.

Intercalando um jeito brincalhão com a seriedade que a psicanálise exige, Fernanda Samico, com seus 1,52m de altura, é gigante.Vinda de uma pequena cidade, contribui ativamente para divulgar e fortalecer a transmissão da psicanálise de forma ética e sustentável, sendo hoje uma das vozes mais irreverentes do campo psicanalítico no país.



Tem 17 anos e fugiu de casa…

Retrato em preto e branco de Fernanda Samico adolescente sorrindo com boina e jaqueta jeans

Evocando a famosa música “Natasha”, da banda Capital Inicial, Fernanda relembra o início de sua jornada acadêmica. Fugir, não era exatamente a palavra. Mas a adolescente traçou um plano milimetricamente pensado para que os pais não tivessem argumentos que impedissem a filha mais velha de deixar o ninho. “Eu tinha que arranjar um jeito de meter o pé”.

Sabendo que não a deixariam partir em uma aventura para morar sozinha em uma cidade grande como o Rio de Janeiro, encontrou em Juiz de Fora (MG) a solução para seu audacioso objetivo. Agora, “só faltava” decidir a graduação.

Fez uma lista e riscou todos os cursos que eram oferecidos na própria cidade - ou aqueles disponíveis em regiões próximas o suficiente em que fosse possível ir e voltar todos os dias. Feito o pente-fino, retirando também as opções que julgava não ter a menor aptidão, era chegada a hora de definição.

A escolha do curso de graduação

Qual seria o próximo passo da Fernanda? Refletir sobre a área que teria mais interesse? Conversar com profissionais da área para entender o ofício? Nada disso.

A jovem pegou a meia dúzia de gatos pingados que sobrou, que incluíam opções como Direito e Comunicação, e lançou seu destino à própria sorte: “Uni-duni-tê… o escolhido foi você: Psicologia”.

Totalmente desacreditada da possibilidade de aprovação, partiu para prestar o vestibular de psicologia para a UFJF . “Não estava nem preocupada com vestibular… só estava pensando que ia passar um final de semana em Juiz de Fora”.

Sem nem mesmo saber o que um psicólogo fazia, logo arrumaria as malas para a nova empreitada, pois a aprovação realmente havia chegado: “Eu digo que nunca mais vou acertar em absolutamente nada, porque eu gastei toda a minha sorte nesse vestibular”, comenta em meio a risadas.

Grupo de estudantes e professores da graduação de psicologia da UFJF
Fernanda Samico ao lado de colegas e professores da faculdade de Psicologia

Psicanálise: amor à primeira vista?

O primeiro contato com a psicanálise veio na faculdade, como uma dentre tantas outras teorias apresentadas no curso. Finalmente, chegou a hora da disciplina com Denise Maurano, uma professora lacaniana. Amor à primeira vista? Muito pelo contrário.

Fernanda conta que odiava a matéria. Sentava no fundão da sala de aula, debochando. “Não é possível que alguém leve isso aqui a sério. Isso é doideira. Falar que a gente é “furo”? Falar que a gente é “falta”? Falar que o que regula é castração? Acima de tudo, isso é machista!”.

A disciplina ela não curtia de jeito nenhum, mas achava a professora muito legal. Isso foi motivo suficiente para escolher justamente a psicanalista lacaniana para conduzir o seu estágio em clínica, que era obrigatório na faculdade.

Fiz seis meses de estágio com a Denise e falhei miseravelmente. Fui horrível. Acho que ela me deu nota sete de “peninha” para eu passar”, brinca Samico.

Fernanda Samico abraçada a professora Denise Maurano em evento de formatura, ambas de beca
Fernanda Samico ao lado da professora Denise Maurano.

“Na minha cabeça eu iria trabalhar com RH”

Ao finalizar a graduação, o plano era trabalhar com gestão de pessoas. Logo emendou uma pós-graduação em gestão estratégica de recursos humanos, mas revela nunca ter chegado a trabalhar na área.

Já adulta e dona do próprio nariz, mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar com comércio exterior, algo totalmente diferente de sua área de formação, parando até mesmo de pagar o Cadastro Nacional de Profissionais da Psicologia (CRP).

Ainda não tão feliz com o rumo de sua carreira profissional, surgiu uma oportunidade de se mudar para a Espanha. Viajou com o visto de turista. Enquanto aguardava a regularização da estadia no país, resolveu estudar algo relacionado à clínica para, quem sabe, começar a atender brasileiros que moravam por lá , enquanto ia desenvolvendo-se na língua espanhola.

Encontrou um mestrado em psicologia clínica conductual, que podia ser feito à distância, e se matriculou. Ainda tropeçando no novo idioma, pela palavra “conductual”, entendeu ser algo relacionado à conduta. Porém, mais tarde, descobriu se tratar de uma pós-graduação em Psicologia Cognitivo-Comportamental.

Pane no sistema, alguém me desconfigurou

Fernanda estava achando a pós-graduação muito interessante, até chegar na parte prática. Em uma disciplina, foi solicitado que montasse um protocolo de dessensibilização para um paciente com determinado tipo de fobia. Samico se viu questionando sobre o que o tal sujeito falava sobre o medo.

Ao interrogar o tutor da disciplina sobre a questão, o mesmo afirmou não haver necessidade de escutá-lo, pois a dessensibilização era padrão. A cabeça de Fernanda simplesmente “bugou” na atividade.

Ela ainda não entendia o incômodo que vinha sentindo, mas ao colocar o discurso e as palavras do paciente em destaque, sentia que havia algo diferente acontecendo. “Isso só pode ser o tal significante que aquela professora lacaniana falava…”, pensava ela, que agora ouvia a voz de Denise Maurano ecoando em sua mente.

Qual o nome daquele psicanalista francês mesmo?

Ao identificar que o seu raciocínio estava se aproximando ao de um psicanalista, resolveu começar a estudar psicanálise. Iniciou a procura pela internet, mas não lembrava de jeito nenhum o nome daquele francês que a antiga professora tanto falava. “Foucault? Não… ele não era psicanalista”.

Teve a ideia de pesquisar por Denise Maurano no google e, ao encontrar um artigo da professora, finalmente encontrou o nome que, a partir de então, jamais sairia de sua mente: Jacques Lacan. Começou a estudar por conta própria.

Na mesma época, chegou a conclusão de que o mestrado que vinha levando já não fazia tanto sentido, e resolveu voltar ao Brasil.

Quem desdenha quer comprar

Ao regressar ao país de origem, iniciou os estudos no Corpo Freudiano do Rio de Janeiro, onde a ex-professora Denise Maurano integrava o corpo docente.

“Você aqui?”, perguntou a professora surpresa ao reencontrar a ex-aluna na escola psicanalítica. O motivo do espanto era evidente. Fernanda não escondia de ninguém a falta de afeição pela psicanálise durante o período da faculdade.

Ela comenta que até hoje os colegas de graduação fazem piada sobre os rumos de sua trajetória profissional, pois era notório o quanto debochava da psicanálise. “Sabe aquela coisa do ‘quem desdenha quer comprar?’ Só que demorou cinco anos para eu entender que aquilo me incomodava tanto porque dizia de uma verdade minha muito basal.”

Agora sim, psicanalista com orgulho

A partir da formação como psicanalista, as coisas foram deslanchando. Passou a atender e logo estava de volta a Vassouras. Iniciou o trabalho clínico com alunos e funcionários de uma renomada universidade da cidade e, na sequência, passou a lecionar para a graduação de psicologia na mesma instituição.

A pressão para que realizasse uma especialização chegou, resultando no mestrado e doutorado em psicanálise pela UERJ.

No ano de 2021, em plena pandemia, se desvinculou da instituição onde lecionava para dedicar-se ao seu consultório e aos próprios cursos de psicanálise. Seu perfil nas redes sociais começou a ganhar mais projeção, e sua missão como propagadora da psicanálise, novos desafios.

É neste período também em que lança o seu primeiro curso - um sucesso, por sinal - na Casa do Saber: “Lacan e as (des)conexões humanas”.

A psicanálise nos dias de hoje

Se de um lado Samico vê com bons olhos o interesse crescente pela psicanálise, por outro, alerta para alguns perigos comuns. Segundo avalia, atualmente existem dois vieses de interesse.

O primeiro é o de pessoas que procuram a psicanálise como ferramenta de autoconhecimento - e neste ponto, é categórica: trata-se de pura ilusão.

A psicanálise, como explica, é uma “ferramenta de autodesconhecimento”, pois ao nos depararmos com a dimensão do inconsciente, percebemos que não conhecemos a nós mesmos.

A questão da formação do analista

O segundo viés, e esse exige uma responsabilidade e atenção maior, é o da formação do analista. Ela lembra que muitos têm erroneamente entendido como algo mais simples que o curso de psicologia, enxergando na psicanálise uma possibilidade de segunda renda ou uma forma tranquila para realizar transição de carreira.

Porém, como ela ressalta, “é o caminho mais difícil justamente porque não há um órgão regulador da psicanálise, sendo regulada entre pares”.

Ela aponta o risco da enxurrada de ofertas de formações oferecidas de forma on-line por preços irrisórios, onde prometem diploma, carteira de psicanalista, número de sindicato e até prazos definidos para início da atuação profissional.

Samico destaca a importância de estar presente no ambiente digital para pautar o discurso sobre uma psicanálise ética e sustentável, dentro do que Freud criou e organizou enquanto campo teórico.

Se a gente não estiver nas redes sociais falando sobre isso, esses outros estarão - e aí o desserviço vai ser maior ainda”, avalia a psicanalista.

Atormentada por natureza

Quem já a segue nas redes sociais, se acostumou a ser chamado de atormentado. O motivo, a própria Fernanda, auto-intitulada atormentada por natureza, explica:

Quando eu entendi de fato o que era a psicanálise no seu cerne mais conceitual, que é a questão da falta, da castração, de um impossível de se dizer, de um desencontro que é constitutivo de todo ser humano, meu Deus… Eu corri para as montanhas. E eu pergunto: pessoas sensatas fazem isso?”.

É pela via do humor e descontração que Samico entende a sua melhor maneira de transmitir a psicanálise. Desta forma, avalia, mantém-se fiel ao seu estilo e facilita uma aproximação com as pessoas, criando um laço e relação de intimidade.

Apesar de uma crítica ou outra pela abordagem, garante que não se abala facilmente. “Eu não quero me comunicar com quem se incomoda em escutar eu chamar quem gosta de psicanálise de atormentado”.

Segundo conta, diversas vezes responde aos críticos lembrando que eles têm total liberdade para se descadastrar para não receber suas comunicações.

Print de conversa em rede social com resposta bloqueando usuário após comentário
Fernanda Samico reage a um dos críticos que, vira e mexe, aparecem em suas redes sociais

A paixão pela musculação (é tudo culpa da Jurema)

Quem não se descadastrou e colou nas ideias da Fernanda, já sabe: a diversão é certa!

Em suas redes sociais, é possível acompanhar dicas sobre psicanálise - com deboche e piadas garantidas -, mas também acompanhar um pouquinho de sua rotina.

A musculação é uma paixão que têm se destacado em seu dia a dia. Tudo começou por conta da Jurema, uma hérnia de disco na lombar (sim, ela deu um nome para a hérnia!).

Segundo comenta, sentia tanta dor que não conseguia ficar sentada. “Teve uma época que eu precisei atender todos os meus pacientes somente por áudio, pois eu só conseguia trabalhar deitada”.

Comprou uma esteira e iniciou o pilates para iniciar o fortalecimento da coluna. O que começou como uma necessidade de saúde, acabou se tornando um hobby.

Hoje, Fernanda mantém uma academia na própria casa. “Tenho aparelho cross over, mesa flexora, extensora, elíptico, bicicleta…”, comenta.

Mulher realizando exercício de musculação com elástico em ambiente doméstico
Fernanda Samico se exercitando na academia que montou na própria casa

De Madonna a Rosalía - e algumas outras paixões

Na parte musical, uma das grandes referências de Samico é a cantora pop Madonna. “Eu era obcecada por ela desde criancinha. Ela cortou o cabelo curto, eu cortei também. Só de ouvir os três primeiros acordes da música já sei qual é”.

A obsessão mais recente é a cantora Rosalía. Eufórica, Samico comenta que o último lançamento, “Lux” (2025)” , é sensacional e muito psicanalítico. Para ela, o álbum dialoga com Lacan do último ensino, no Seminário 20, onde ele fala da mística, do feminino e da parceria amorosa por outra via que não a narcísica.

Comecei a investigar as letras e a ler as entrevistas dela. Vi que ela leu sobre os santos místicos, Santa Teresa d'Ávila, a relação entre São Francisco de Assis e Santa Clara. Fui ficando realmente obcecada. Escuto o disco dela todo dia, da primeira à última música”, comenta.

Filmes e séries que curte

Sabe quando não sabemos o que queremos ver, mas também não queremos errar na escolha?

Para Fernanda, o filme conforto é “Tudo pode dar certo” (2009), de Woody Allen. Quando começa, sempre assiste até o fim.

E para desestressar e desconectar um pouco do trabalho e do cansaço do dia a dia, ela e o marido têm assistido a uma série chamada “Febre do Ouro”.

É a coisa mais boba do mundo”, comenta ela em meio a risadas. “São pessoas que estão lá no Alasca. A gente fica vendo eles minerarem ouro, botarem no negócio de processar aquela terra toda, e no final fazem a pesagem e todo mundo fica feliz e brinda com cerveja”.

Esse Brás Cubas é um pilantra, hein!?

Em relação à leitura, conta que chegou a fazer uma seleção de livros ganhadores do prêmio Nobel de Literatura. Entre a lista, destaca os livros “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marques, além de “É a Ales” , de John Foss” e “O Estrangeiro”, de Albert Camus.

Está gostando também do livro “A Psicanálise No Brasil Antes E Depois De Lacan”, de Leandro dos Santos, com quem ministra uma disciplina na pós-graduação Psicanálise, Cultura e Sociedade.

A experiência literária mais divertida ficou por conta do clássico nacional “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Fernanda está lendo o romance em voz alta, junto ao marido Beto, antes de irem dormir.

Cada noite leem um capítulo e, ao se depararem com as peripécias do “defunto-autor”, o marido disparou “esse cara é um pilantra, hein!?

Fernanda Samico ao lado do marido Beto Zanatelli, sorrindo juntos usando óculos escuros em ambiente com azulejos decorativos
Fernanda Samico ao lado do marido Beto Zanatelli

Carlitos e Bailinho: uma dupla animal

O amor por cachorros também é uma paixão na vida de Samico.

Sua casa é bem guardada por Bailey, ou “bailinho” para os íntimos, um border-collie neurótico obsessivo. Ele é o xerife da casa.

Cachorro da raça Border Collie olhando para a câmera em ambiente interno
Bailey, ou “Bailinho” - o xerife neurótico obsessivo

Antes dele, já havia chegado o vira-lata Carlitos. Foi nomeado assim em uma homenagem ao personagem vagabundo, de Charles Chaplin.

Samico brinca que o cãozinho a ama porque tem síndrome de estocolmo. “Ele estava na rua. Eu catei e levei pra casa”, relembra a psicanalista às risadas.

Cachorro pequeno de orelhas grandes olhando para cima em ambiente interno
Carlitos, o vira-lata com síndrome de estocolmo

Um papo entre mulheres de fibra

Se pudesse arrastar qualquer personalidade da história para uma mesa de bar, Samico escolheria a psicanalista brasileira Virgínia Bicudo e a pintora Frida Kahlo para bater um papo. “Eu ia querer sentar e conversar com pessoas que romperam barreiras”.

Ainda imaginando o possível encontro, comenta que “ia sair desgovernada dessa conversa. Com certeza a gente ia parar em um forró, em uma roça aqui perto. Nesses forrós, bem forrós mesmo”.

A Madonna quase entrou para a roda, mas foi excluída “porque é muito narcisista”, comentou a psicanalista aos risos. É, Madonna. Quem sabe no próximo rolê…

Caricatura de Fernanda Samico ao lado de Vigínia Bicudo e Frida Kahlo em um bar brindando com cerveja
Caricatura de uma roda de conversa entre Fernanda Samico, Frida Kahlo e Virgínia Bicudo

Uma professora carismática, mas, sobretudo, didática

Fernanda Samico coleciona elogios em seus cursos na Casa do Saber . Seu carisma cativa e deixa todos à vontade.

Quando perguntada sobre o que espera causar nos alunos quando termina a gravação de um curso, ela é enfática: “que gere o desejo de estudar psicanálise”.

Comentários entusiasmados ou casos de pessoas que haviam desistido de estudar psicanálise e retornam por conta de suas explicações são considerados pela professora como verdadeiros troféus.

A tarefa não é fácil. Explicar Lacan? O que mais tem é meme brincando sobre a dificuldade e complexidade da obra do psicanalista francês. Mas não é que ela consegue dar uma descomplicada no assunto?

Quem está dizendo não sou eu, mas os diversos assinantes da Casa do Saber:

“Professora que une felicidade ao falar e conhecimento, faz uma transmissão leve e profunda ao mesmo tempo”

“Profissional muito clara, organizada e carismática. GIREI entre os quatro discursos e me sinto desejoso de investigar os furos e craquelados do Real.”

“O curso é muito instigante e ao mesmo tempo instrutivo. Ajudou-me a entender um pouquinho mais sobre os conceitos lacanianos, aumentou a vontade de aprender mais e me deu bastante conteúdo para pensar sobre.”

Cursos favoritos da professora na Casa do Saber

A professora revela ser fã de carteirinha do professor Pedro de Santi. “Todos os cursos dele são sempre muito bons!”, além de indicar os cursos do professor Contardo Calligaris.

Ela também recomenda o curso “Jacques Lacan - Do Retorno a Freud ao Desenvolvimento da Psicanálise Lacaniana”, de Christian Dunker.

A introdução que ele faz ao ensino de Lacan é sensacional. Ele consegue dar um voo de drone na biografia do Lacan, amarrando com a teoria, que é sensacional.

De curso em curso, Fernanda Samico vem nos divertindo, ensinando e quebrando barreiras. A psicanálise agradece por ganhar uma voz tão autêntica e, nós, por poder contar com uma professora tão cativante. Um viva à irreverência de Fernanda Samico.

Artigo escrito por
Rodrigo Gomes
Jornalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), participou como escritor do livro "Outras Memórias Possíveis" (2016), organizado por Toninho Dutra. Sempre interessado em conhecer (e contar) boas histórias. Atualmente é analista de conteúdo na Casa do Saber.