Neurociência, Saúde Mental & Comportamento

Inteligência Emocional no Trabalho: o que é e como desenvolver

Inteligência Emocional no Trabalho: o que é e como desenvolver

Você já parou para pensar por que algumas pessoas lidam tão bem com pressão, mudanças e conflitos no trabalho, enquanto outras se sentem constantemente sobrecarregadas, reagem impulsivamente, não aceitam críticas ou têm dificuldade em colaborar?

A resposta, muitas vezes, não está no conhecimento técnico, no tempo de experiência ou no cargo que ocupam, mas sim em uma competência fundamental: a inteligência emocional no trabalho.

Mais do que uma habilidade pessoal, a inteligência emocional é hoje uma das soft skills mais valorizadas no mercado, capaz de transformar a maneira como você se relaciona, comunica, lidera e toma decisões.

Neste artigo, iremos explorar o que é inteligência emocional, por que ela é importante, como desenvolvê-la no ambiente de trabalho e sugestões de aprofundamento no tema.



O que é inteligência emocional no trabalho?

A inteligência emocional no trabalho é a capacidade de reconhecer, compreender e gerenciar as próprias emoções, assim como perceber as emoções dos outros no ambiente profissional.

Em um mundo cada vez mais dinâmico, com mudanças tecnológicas constantes e desafios interpessoais, a IE se tornou um diferencial competitivo tanto para profissionais quanto para empresas, se apresentando como uma questão central para a saúde mental.

A inteligência emocional não deve ser vista como uma habilidade “acessória” ou restrita a cargos de liderança. Ela é transversal, impactando desde as relações interpessoais do dia a dia até a cultura organizacional como um todo.


Por que a inteligência emocional é tão importante no trabalho?

A inteligência emocional é importante para se construir um ambiente mais saudável, e deve ser desenvolvida não apenas pelo funcionário de determinada empresa, mas também, pela própria organização.

Desenvolver essas competências impacta diretamente:

  • A qualidade das relações interpessoais
  • A capacidade de tomada de decisão sob pressão
  • A gestão de conflitos e o fortalecimento do trabalho em equipe
  • A liderança empática, colaborativa e inspiradora
  • O equilíbrio emocional, reduzindo estresse e ansiedade
  • A promoção de uma cultura organizacional mais saudável e produtiva.

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De acordo com o estudo Inteligência Emocional e Desempenho no Trabalho desenvolvido pela Universidade São Francisco em 2006, a probabilidade de uma pessoa inteligente emocionalmente ter melhor desempenho no trabalho é maior do que a de uma pessoa com baixa inteligência emocional.

Na pesquisa, foram avaliadas quatro dimensões fundamentais: percepção, compreensão e gerenciamento das emoções, além da facilitação do pensamento no ambiente profissional.

O resultado não deixa dúvidas: empresas que investem no desenvolvimento das competências emocionais de seus colaboradores percebem ganhos expressivos na qualidade do clima organizacional, na produtividade, na retenção de talentos e até nos indicadores financeiros.

Nesse sentido, a inteligência emocional é uma competência indispensável para quem deseja construir uma carreira sólida e resiliente.

Além disso, é uma ferramenta poderosa para empresas que buscam fortalecer seus times, criar ambientes de trabalho emocionalmente seguros e impulsionar a performance coletiva.

É por isso que cada vez mais organizações incluem a inteligência emocional como critério em processos de seleção, desenvolvimento de lideranças e programas de saúde mental no trabalho.

Grupo de profissionais reunidos em mesa de trabalho, discutindo estratégias e analisando informações em notebooks
A escuta ativa, a empatia e a habilidade de resolver problemas são características de inteligência emocional no trabalho - Foto de UK Black Tech/ Unsplash

Os 4 pilares da inteligência emocional segundo Daniel Goleman

De acordo com Daniel Goleman, psicólogo de referência global no tema, a inteligência emocional é estruturada a partir de 4 pilares: o autoconhecimento, autocontrole, empatia e habilidades sociais.

Eles são essenciais para quem busca aprimorar o próprio comportamento profissional, fortalecer relações e construir um ambiente profissional saudável.

E, como podemos aplicar esses pilares no contexto profissional? Vejamos:

Autoconhecimento

O autoconhecimento é a base da inteligência emocional. Trata-se da capacidade de reconhecer suas próprias emoções, entender seus pontos fortes, limitações, valores e os impactos que suas atitudes geram no ambiente profissional.

Na prática, no trabalho, significa:

  • Reconhecer quando você está estressado, ansioso ou sobrecarregado, e buscar estratégias para se restabelecer;
  • Saber quais tarefas e contextos despertam seu melhor desempenho e quais geram bloqueios emocionais;
  • Ter clareza dos próprios valores, interesses e necessidades, o que ajuda na tomada de decisão e na escolha de projetos e caminhos profissionais alinhados.

Assim, o autoconhecimento pode proporcionar uma maior autoconfiança e clareza nas decisões, além da redução de reações impulsivas.

Atenção: O excesso de sobrecarga mental no trabalho pode levar a quadros de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional.

Entenda mais sobre o assunto no curso Burnout, Um Problema Atual, com Rodrigo Bressan e Eduardo Belo


Autocontrole ou Autoregulação Emocional

O autocontrole emocional é a capacidade de gerenciar emoções e impulsos, especialmente em situações de estresse, conflito ou pressão - tão frequentes no ambiente profissional.

Para lidar, é preciso:

  • Evitar respostas automáticas com agressividade, sarcasmo, ironia ou isolamento;
  • Manter a calma em reuniões tensas, prazos apertados ou situações de conflito;
  • Usar emoções a seu favor, sem ser dominado por elas;
  • Reavaliar situações estressantes, adotando uma perspectiva mais racional e menos emocional.

Essas medidas irão auxiliar na redução dos conflitos no trabalho, e em uma maior clareza e foco para resolver problemas complexos.


Empatia

A empatia é a competência de perceber, compreender e considerar os sentimentos, pensamentos e necessidades dos outros. No trabalho, ela é a peça-chave para relações saudáveis, colaboração e construção de ambientes inclusivos.

No trabalho, você pode:

  • Praticar a escuta ativa, ouvindo colegas e lideranças sem interrupções e julgamentos;
  • Considerar os desafios, contextos e emoções dos outros ao oferecer feedbacks ou tomar decisões;
  • Ser gentil e solícito quando necessário, para se construir um ambiente de acolhimento, diversidade e bem-estar.

Essas são estratégias para investir em equipes mais colaborativas e inovadoras, além de reduzir os ruídos na comunicação e de conflitos.

Habilidades Sociais ou Destreza Social

As habilidades sociais são a capacidade de gerenciar relacionamentos, construir redes de colaboração e influenciar positivamente as pessoas ao redor.

No ambiente profissional, isso envolve:

  • Ter uma comunicação clara, assertiva e respeitosa;
  • Resolver conflitos de maneira construtiva, buscando soluções e acordos;
  • Motivar colegas, criar alianças e promover um ambiente de cooperação.

Pessoas com alta destreza social constroem relações de confiança, admiração e respeito, sendo vistas, muitas vezes, como referência, tanto formal quanto informalmente.

Reunião de equipe em ambiente corporativo, com apresentação de ideias e troca colaborativa entre profissionais
A construção de uma inteligência emocional no trabalho envolve a capacidade de reconhecer, compreender e gerenciar emoções suas e dos outros no ambiente profissional - Foto de The Jopwell Collection/ Unsplash

Dica de leitura:

O best-seller “Inteligência Emocional” de Daniel Goleman traz fundamentos teóricos, casos práticos e mostra como a IE é determinante para o sucesso profissional e pessoal.

Como desenvolver inteligência emocional no trabalho na prática?

Desenvolver inteligência emocional é um processo contínuo, que exige autoconhecimento e disposição para mudanças.

Não se trata de eliminar emoções, pelo contrário! O exercício é de aprender a reconhecê-las, compreendê-las e administrá-las de forma saudável e produtiva.

O desenvolvimento das chamadas competências emocionais não acontece da noite para o dia, mas pode ser fortalecido com práticas simples, constantes e conscientes.

Veja como começar:

Pratique o autoconhecimento

  • Faça pausas diárias para se perguntar: “O que estou sentindo agora?”
  • Mapeie situações que geram desconforto, ansiedade, irritação ou insegurança no trabalho;
  • Observe seus gatilhos emocionais, como críticas, pressão por prazos, reuniões tensas no feedbacks negativos;
  • Anote padrões: quando, onde e com quem eles costumam acontecer.

Ferramentas úteis: diário emocional, psicoterapia, feedbacks de colegas e líderes.


Fortaleça sua auto regulação emocional

  • Quando sentir raiva, frustração ou ansiedade, respire profundamente antes de reagir ou responder;
  • Utilize técnicas como mindfulness, meditação ou pausas conscientes ao longo do dia;
  • Observe o que sente sem se fundir com o acontecimento em si;
  • Pergunte-se: “Minha reação ajuda ou atrapalha na resolução deste problema?”

Exercite a empatia diariamente

  • Pratique a escuta ativa: ouça sem interromper, sem julgar e sem já pensar na sua resposta;
  • Faça perguntas abertas para compreender melhor o ponto de vista do outro;
  • Cultive curiosidade genuína pelas histórias, desafios e experiências das pessoas no ambiente de trabalho;
  • Lembre-se de que cada pessoa carrega realidades, pressões e contextos que nem sempre estão visíveis.

Desenvolva habilidades sociais no ambiente profissional

  • Adote uma comunicação clara, objetiva e respeitosa, evitando ruídos e mal-entendidos;
  • Pratique a Comunicação Não-Violenta (CNV): fale sobre seus sentimentos e necessidades sem acusar ou julgar;
  • Aprenda a dar e receber feedbacks de forma construtiva;
  • Busque soluções conjuntas em situações de conflito;
  • Fortaleça sua rede de contatos, criando relações de confiança e colaboração.

Invista no desenvolvimento contínuo

  • Participe de cursos, workshops ou palestras sobre gestão emocional, soft skills, empatia, liderança e comunicação no trabalho;
  • Consuma conteúdos em podcasts e videocasts sobre o tema, para explorar outras perspectivas;
  • Invista em cursos como Inteligência Emocional - Casa do Saber da Casa do Saber. Nele, a cientista Ana Carolina Souza explora as formas de se identificar e gerenciar suas emoções, desenvolver empatia, melhorar habilidades de comunicação e fortalecer relações interpessoais.
  • Busque apoio profissional, como mentoria e psicoterapia, se possível.


Como lidar com alguém que não tem inteligência emocional no trabalho?

A primeira regra é proteger seu próprio equilíbrio emocional. Isso significa não reagir no mesmo tom, não absorver a carga emocional do outro e evitar se envolver em discussões improdutivas.

Pratique a escuta ativa, mas sem abrir mão dos seus limites. Se a pessoa costuma ser agressiva ou desrespeitosa, mantenha uma comunicação firme, clara e objetiva. Seja direto sobre o que é aceitável e o que não é no contexto profissional, sempre com respeito, mas sem se anular.

Quando perceber que o diálogo não é suficiente ou que a situação começa a comprometer seu bem-estar ou o desempenho do trabalho, não hesite em acionar os canais institucionais, como a liderança, o setor de Recursos Humanos ou áreas de mediação de conflitos.

Perguntas frequentes sobre inteligência emocional

Como desenvolver inteligência emocional no ambiente de trabalho?

Você pode começar desenvolvendo o autoconhecimento, praticando a autorregulação emocional, fortalecendo a empatia e melhorando suas habilidades sociais. Isso envolve desde escutar mais, pausar antes de reagir, até investir em treinamentos e feedbacks constantes.


Por que inteligência emocional é importante para o sucesso profissional?

Porque ela impacta diretamente a forma como você lida com desafios, se comunica, resolve conflitos e trabalha em equipe. Profissionais com alta inteligência emocional são mais adaptáveis, resilientes e preparados para liderar, inovar e gerar resultados sustentáveis.



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Referências:

https://www.scielo.br/j/paideia/a/NGwkzfpn8JbRdhD3vXhnjtQ/?lang=pt&format=pdf

Artigo escrito por
Camila Fortes
Pesquisadora. Jornalista e mestra em Comunicação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde do ICICT/FIOCRUZ/RJ.