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Livros Feministas: 18 obras para entender o feminismo

Livros Feministas: 18 obras para entender o feminismo

Ao buscar por livros feministas, muita gente se depara com diferentes vertentes, contextos e estilos de escrita, o que pode gerar dúvidas sobre por onde começar.

Este guia reúne obras que ajudam a entender a formação do pensamento feminista, suas transformações e seus diálogos com temas como raça, classe, cultura e política. Neste artigo, você vai encontrar sugestões para iniciantes, clássicos fundamentais, livros sobre feminismo negro e interseccionalidade e leituras brasileiras essenciais.



O interesse por livros feministas e livros sobre feminismo acompanha um movimento global de ampliação das discussões sobre igualdade de gênero, interseccionalidade, trabalho, cultura, política e saúde mental.

Cada vez mais pessoas buscam entender como o pensamento feminista se formou, como ele se transformou ao longo do tempo e como ele se conecta com debates atuais.

Ao mesmo tempo, quem começa a pesquisar sobre o tema costuma encontrar um cenário amplo: existem diferentes vertentes do feminismo, diferentes contextos históricos e estilos de escrita que vão do ensaio acadêmico ao manifesto pessoal e à ficção.

O feminismo não é uma teoria única, na verdade, pode ser entendido como um campo plural, que inclui filosofia, história, sociologia, política e experiências subjetivas.

São inúmeras as produções contemporâneas e narrativas literárias que ajudam a entender como essas discussões aparecem na vida cotidiana.

Esta curadoria reúne livros sobre feminismos indicados para quem quer começar, aprofundar e diversificar repertório.

Livros feministas para iniciantes

Nessa seção, você vai conhecer obras introdutórias para quem quer se aprofundar nos estudos sobre feminismo.

São obras que ajudam a construir repertório, estimular pensamento crítico e criar conexões entre teoria e realidade, tornando o tema mais próximo, compreensível e relevante para quem está começando a explorar o assunto.

1. Sejamos todos feministas (2014) – Chimamanda Ngozi Adichie

Capa do livro Sejamos Todos Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie

Resumo:
Partindo de experiências pessoais e situações cotidianas, Chimamanda constrói uma reflexão sobre como desigualdades de gênero aparecem de forma sutil e estrutural ao mesmo tempo.

A autora mostra que o feminismo não é apenas um conceito político, mas uma forma de olhar para o mundo e perceber desigualdades naturalizadas.

Por que ler / para quem é indicado:
Ideal para quem busca livros feministas para iniciantes e quer uma leitura acessível e reflexiva.

2. O feminismo é para todo mundo (2018) – bell hooks

Capa do livro O Feminismo é Para Todo Mundo: Políticas Arrebatadoras, de bell hooks

Resumo:
bell hooks apresenta o feminismo como um movimento social que busca transformar estruturas de desigualdade. Ela discute educação, trabalho, família, violência e cultura, mostrando como o feminismo dialoga com toda a sociedade.

O livro também questiona a ideia de feminismo como algo elitista e reforça a importância de pensar gênero junto com raça e classe.

Por que ler:
Ajuda a entender o feminismo como movimento coletivo e social.

3. Breve história do feminismo (2018) – Carla Cristina Garcia

Capa do livro Breve História do Feminismo, de Carla Cristina Garcia

Resumo:
Apresenta um panorama histórico das ondas feministas, explicando como o movimento surgiu, quais eram suas demandas e como essas pautas mudaram ao longo do tempo.

Para quem é indicado:
Leitores que gostam de entender o contexto antes de mergulhar em teoria.

Clássicos do pensamento feminista

Para nós, um clássico é um clássico.

Nesse caso, é uma porta de entrada para entender como o pensamento feminista foi construído ao longo do tempo e também um convite para perceber que muitas discussões que parecem recentes, na verdade, já vêm sendo elaboradas há décadas.

4. O segundo sexo (1949) – Simone de Beauvoir

Capa do livro O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir

Resumo:
Uma das obras mais influentes do pensamento feminista. Beauvoir analisa como a ideia de “ser mulher” foi construída social e historicamente. O livro discute biologia, cultura, educação e sexualidade, mostrando como desigualdades de gênero se tornam estruturas sociais.

Por que ler:
Base fundamental para entender a história do feminismo e o pensamento feminista moderno.

5. Sister Outsider (1984) – Andre Lorde

Capa do livro Sister Outsider: Essays and Speeches, de Audre Lorde

Resumo:
Ao longo dos textos, Lorde discute como racismo, sexismo, homofobia e desigualdade de classe se entrelaçam, antecipando debates que hoje são centrais nas discussões sobre interseccionalidade.

Por que ler:
Ajuda a compreender como as opressões se articulam e por que reconhecer diferenças é essencial para construir movimentos sociais mais justos e inclusivos.

6. Pensamento feminista brasileiro: Formação e contexto (2011) – org. Heloisa Buarque de Hollanda

Capa do livro Pensamento Feminista Brasileiro: Formação e Contexto, organizado por Heloisa Buarque de Hollanda

Resumo:
O livro discute a formação do pensamento feminista no Brasil, analisando como ele se desenvolveu em diálogo com contextos políticos, culturais e sociais específicos do país

Por que ler:
É essencial para quem quer sair de uma leitura apenas europeia ou norte-americana do feminismo e compreender como esse pensamento se construiu localmente.

Livros sobre feminismo negro e interseccionalidade

Nesta seção, você encontra obras fundamentais para compreender como o pensamento feminista foi ampliado ao longo do tempo ao incorporar discussões sobre raça, classe, sexualidade e território.

7. Teoria feminista: da margem ao centro (1984) – bell hooks

Capa do livro Teoria Feminista, de bell hooks

Resumo:
Discute como o feminismo tradicional ignorou experiências de mulheres negras e pobres. Propõe um feminismo que considere gênero, raça e classe simultaneamente.

Por que ler:
Base para entender interseccionalidade no pensamento feminista.

8. E eu não sou uma mulher? (1981) – bell hooks

Capa do livro E Eu Não Sou Uma Mulher?, de bell hooks

Resumo:
Neste livro, bell hooks analisa como racismo e sexismo se combinaram historicamente para produzir uma experiência específica para mulheres negras, especialmente nos Estados Unidos.

A autora revisita a escravidão, o pós-abolição e a construção cultural da feminilidade, mostrando como mulheres negras foram excluídas tanto do movimento feminista tradicional quanto de movimentos antirracistas liderados por homens.

Por que ler:
Fundamental para entender a base histórica da interseccionalidade e das críticas ao feminismo branco hegemônico.

9. Mulheres, raça e classe (1981) – Angela Davis

Capa do livro Mulheres, Raça e Classe, de Angela Davis

Resumo:
Angela Davis analisa como racismo, capitalismo e patriarcado se conectam historicamente. O livro mostra como essas estruturas nunca atuaram separadamente.

Para quem é indicado:
Quem quer entender feminismo como análise estrutural da sociedade.

10. Lugar de fala (2019) – Djamila Ribeiro

Capa do livro Lugar de Fala, de Djamila Ribeiro

Resumo:
Discute como posição social influencia quem pode falar e quem é ouvido socialmente. Explica debates contemporâneos sobre representatividade e poder social.

Por que ler:
Essencial para entender debates atuais no Brasil.

11. A invenção das mulheres: Construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero (2021) – por Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí

Capa do livro A Invenção das Mulheres: Construindo um Sentido Africano para os Discursos de Gênero, de Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí

Resumo:
Questiona a ideia de que gênero é uma categoria universal. A partir de estudos sobre a sociedade iorubá, a autora argumenta que a organização social tradicional não era baseada em divisões de gênero como no Ocidente, mas principalmente em critérios como senioridade e posição social.

Por que ler:
Essencial para quem quer entender feminismo decolonial e como gênero pode ser uma construção histórica e cultural, não universal.

Teoria feminista e outros pensamentos críticos

Aqui, você pode explorar algumas sugestões de livros sobre feminismo e teoria crítica que aprofundam o pensamento feminista para além das introduções mais acessíveis.

São leituras que ajudam a entender como o feminismo conversa com temas como capitalismo, linguagem, poder, subjetividade e organização social.

12. Teoria King Kong (2006) – Virginie Despentes

Capa do livro Teoria King Kong, de Virginie Despentes

Resumo:
Discute sexualidade, violência, pornografia, trabalho sexual e padrões de feminilidade. A autora critica modelos tradicionais de feminilidade e questiona moralismos ligados ao corpo feminino.

Por que ler:
Para quem busca uma leitura potente, direta e que conecta teoria com experiência vivida.

13. A política da realidade (1983) – Marilyn Frye

Capa do livro Políticas da Realidade: Ensaios em Teoria Feminista, de Marilyn Frye

Resumo:
Coletânea de ensaios que exploram conceitos fundamentais do feminismo, como opressão, linguagem e poder.

Para quem é indicado:
Quem gosta de filosofia e teoria social.

14. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva (2019) – Silvia Federici

Capa do livro Calibã e a Bruxa: Mulheres, Corpo e Acumulação Primitiva, de Silvia Federici

Resumo:
Analisa como o surgimento do capitalismo se conectou com exploração do trabalho feminino e controle do corpo das mulheres.

Por que ler:
Fundamental para entender feminismo, economia e história social.

Leituras feministas brasileiras essenciais

Esta seção convida a conhecer as discussões sobre feminismo produzidas no Brasil, mostrando como ele é atravessado por raça, classe, território, história e experiências sociais.

Elas irão ajudar a entender como o feminismo se constrói no cotidiano brasileiro, dialogando com desigualdades e realidades locais.

15. Racismo e sexismo na cultura brasileira (1984) – Lélia Gonzalez

Resumo:
Lélia Gonzalez analisa como racismo e sexismo operam de forma articulada na cultura brasileira, especialmente na construção da imagem social da mulher negra. O texto também discute cultura, linguagem e identidade, sendo fundamental para compreender o feminismo negro latino-americano.

Por que ler:
Base essencial para entender feminismo negro no Brasil e relações entre cultura e poder.

16. Por um feminismo afro latino-americano (2020) – Lélia Gonzalez

Capa do livro Por um Feminismo Afro-Latino-Americano, de Lélia Gonzalez

Resumo:
Reúne reflexões sobre identidade, colonialidade e construção histórica das mulheres negras na América Latina. Gonzalez propõe um feminismo que dialogue com realidades latino-americanas, rompendo com modelos exclusivamente europeus e norte-americanos.

Por que ler:
Importante para pensar feminismo a partir do Sul Global e da experiência afro-diaspórica.

17. Mulher negra (1985) – Sueli Carneiro

Capa do livro Mulher Negra, Caderno IV, organizado por Sueli Carneiro – Geledés

Resumo:
Neste conjunto de textos, Carneiro nos convida a compreender os modelos femininos presentes na mitologia iorubana; amplia a discussão sobre identidade feminina e analisa as formas de organização desenvolvidas pelo Movimento Negro e pelo Movimento Feminista.

Por que ler:
Obra fundamental para entender a construção do feminismo negro no Brasil a partir de uma perspectiva histórica, cultural e política.

18. Uma história feita por mãos negras (2021) – Beatriz Nascimento

Capa do livro Uma História Feita por Mãos Negras, de Beatriz Nascimento

Resumo:
A autora conecta história, cultura e política, mostrando como a produção intelectual negra é central para compreender a formação social brasileira.

Por que ler:
Para quem quer entender feminismo negro brasileiro a partir da história e da produção intelectual negra.

O que os livros sobre feminismo têm a nos ensinar?

Os livros sobre feminismo ampliam a forma como a gente enxerga o mundo. Eles ajudam a perceber como ideias sobre poder, trabalho, cuidado, corpo, linguagem e valor social foram sendo construídas ao longo do tempo.

É o tipo de leitura que muda a forma como a gente observa relações, ambientes e estruturas, na medida em que mostra que muita coisa que parecia “natural” é, na verdade, resultado de processos históricos, culturais e políticos.

E essas leituras nunca foram e não deveriam ser só de mulheres para mulheres ou “apenas” sobre mulheres, pois o feminismo é uma forma de entender como a sociedade organiza quem tem voz, espaço e reconhecimento.

Por isso, essas obras são um convite para que possamos repensar as estruturas de poder e encontrarmos mecanismos mais justos e igualitários de existir em sociedade.

Artigo escrito por
Camila Fortes
Pesquisadora. Jornalista e mestra em Comunicação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde do ICICT/FIOCRUZ/RJ.