Quer entender como o cérebro aprende, por que o estresse mexe com o humor ou como uma lembrança se forma?
Então você já tem o principal ingrediente para estudar neurociência: curiosidade.Para quem se pergunta por onde começar a estudar neurociência, a resposta curta é: comece pelos fundamentos.
Entenda o que são neurônios e como eles se comunicam. Depois, avance para aprendizagem, memória, emoções e comportamento – e por aí vai.
Não é preciso ser médico nem biólogo para dar os primeiros passos.Este guia mostra como começar a estudar neurociência de acordo com o que você busca.
O que é neurociência
Neurociência é o campo que estuda o sistema nervoso — cérebro, medula espinhal e nervos — e sua relação com o pensamento, as emoções e o comportamento.
É uma área interdisciplinar, que reúne conhecimentos da Biologia, da Psicologia, da Medicina, da Química, da Educação e da Computação, entre outras.
Por isso, um neurocientista pode vir de cursos bem diferentes. E por isso a área interessa a professores, psicólogos, gestores e comunicadores.
A interdisciplinaridade da neurociência nos permite transbordar esse conhecimento para outras áreas do saber. Teremos profissionais que estudam a neurociência a partir de uma perspectiva molecular e celular; também podemos ter profissionais que vão se dedicar a entender mais sistemas, ou seja, como funciona a sua visão e como as regiões do cérebro se ativam a partir da visão; e também existem profissionais que vão buscar entender a neurociência a partir do que chamamos de alta ordem, que são os comportamentos mais complexos, como emoção, atenção, empatia, e que vão demandar diferentes regiões do cérebro. Todas são formas de entender a neurociência
Neurociência, neurologia, neuropsicologia e psiquiatria: qual a diferença?
Embora estejam relacionadas ao cérebro e à saúde mental, essas áreas têm objetivos e abordagens diferentes.
Entender essas distinções ajuda a compreender como elas se complementam e em quais situações cada uma pode contribuir para o cuidado e a compreensão do funcionamento humano.
| Área | O que é | Quem atua |
|---|---|---|
| Neurociência | Campo científico que estuda o sistema nervoso | Pesquisadores e profissionais de várias formações |
| Neurologia | Especialidade médica que diagnostica e trata doenças do sistema nervoso, como epilepsia e AVC | Médicos neurologistas |
| Psiquiatria | Especialidade médica que diagnostica e cuida de transtornos mentais | Médicos psiquiatras |
| Neuropsicologia | Avalia e reabilita funções como memória, atenção e linguagem | Psicólogos especialistas e outros profissionais da saúde com formação na área |
O que estudar em neurociência: uma sequência para iniciantes
A neurociência é um campo amplo, com diferentes abordagens e possibilidades de aprofundamento.
Para quem está começando, seguir uma sequência de estudos ajuda a construir uma base sólida e a compreender como os conhecimentos se conectam.
A seguir, veja por onde começar e como avançar gradualmente.
1. Conheça o mapa da área
Depois de entender o que é neurociência, vale conhecer suas frentes de estudo. Algumas das principais:
- Celular e molecular: o funcionamento das células nervosas.
- Cognitiva: atenção, memória, linguagem e tomada de decisão.
- Comportamental e afetiva: emoções, motivação e comportamento.
- Computacional: modelos matemáticos do cérebro.
- Clínica: doenças do sistema nervoso e seus tratamentos.
2. Entenda os fundamentos do sistema nervoso
O sistema nervoso tem duas grandes partes: o central, formado pelo encéfalo e pela medula espinhal, e o periférico, que reúne os nervos espalhados pelo corpo.
O cérebro humano tem cerca de 86 bilhões de neurônios. A estimativa vem de um estudo brasileiro de 2009, com participação dos neurocientistas Suzana Herculano-Houzel e Roberto Lent.
O número corrigiu a velha cifra de 100 bilhões, que circulava sem contagem precisa. Muita coisa, né?
3. Aprenda como os neurônios se comunicam
Neurônios trocam sinais elétricos e químicos. O ponto de contato entre eles é a sinapse, onde substâncias chamadas neurotransmissores, como dopamina, serotonina e glutamato, levam a mensagem adiante.
Quando você encosta a mão numa panela quente e a afasta antes mesmo de pensar, é essa comunicação que entra em ação, em uma fração de segundo.
4. Estude neuroplasticidade, atenção, memória e aprendizagem
A neuroplasticidade é a capacidade do sistema nervoso de se modificar com a experiência. É ela que explica como o cérebro aprende.
Lembre-se de quando aprendeu a andar de bicicleta: no começo, cada movimento exigia atenção total; com a prática, pedalar e se equilibrar virou automático.
No curso Aprender a Aprender, Ana Carolina Souza mostra que aprender transforma o próprio cérebro — e que esse processo continua ao longo de toda a vida.
Quando repetimos alguma coisa, isso ajuda no aprendizado e, na verdade, é uma prática muito intuitiva que muitas pessoas fazem. Estou dizendo aqui que, se você repetir cinco vezes em voz alta, vai lembrar para sempre? Não. Depende. Talvez um número de telefone, sim, você lembre um pouco, mas, se for uma fórmula de física, uma teoria complexa, uma apresentação do seu trabalho, talvez você precise de mais tempo e de intervalos para ativar esse circuito e, com isso, ganhar mais robustez na formação dessa memória. E, mesmo que você lembre por um tempo dessa informação, isso não garante que vai lembrar para o resto da vida. Pode ser que mesmo uma memória que seja de longo prazo depois se apague conforme aquilo deixe de ser relevante.
Atenção e memória andam juntas, sabia? Quem esquece um nome segundos depois de uma apresentação muitas vezes nem chegou a registrá-lo, porque estava distraído.
Entender como funciona a memória ajuda a estudar melhor.
O espanhol Santiago Ramón y Cajal, Nobel de Medicina de 1906, escreveu no fim do século 19: "todo homem pode ser, se se propuser, escultor de seu próprio cérebro".
Só que esculpir leva tempo: a mudança vem da prática repetida, não de atalhos.
5. Avance para emoções, sono, estresse e decisões
Uma noite mal dormida costuma deixar a concentração mais difícil e o humor mais instável no dia seguinte.
Já o coração acelerado antes de uma apresentação faz parte da resposta ao estresse, útil no curto prazo, mas custosa quando se prolonga.
Esse é o território da neurociência das emoções, que ajuda a entender por que os sentimentos influenciam a memória e as escolhas.
O curso Saúde Mental e Estresse: Uma Visão das Neurociências, de Ana Carolina Souza, explica a resposta ao estresse e o que a ciência sabe sobre resiliência.
6. Escolha um campo para aprofundar
Depois de conhecer os fundamentos da neurociência, você pode direcionar seus estudos para os temas que mais despertam sua curiosidade.
É possível investigar, por exemplo, como o cérebro aprende, como as emoções influenciam o comportamento ou como o estresse afeta o organismo.
Esses conhecimentos também podem ser relacionados a diferentes áreas de atuação:
- Educação: neurociência e aprendizagem, memória e atenção.
- Saúde mental: emoções, estresse e relações entre cérebro e comportamento.
- Comunicação: atenção, percepção, linguagem e criatividade.
- Trabalho e organizações: motivação, tomada de decisão e efeitos do estresse.
Não é necessário estudar todos esses temas de uma vez. Escolha uma questão de interesse, aprofunde-se nela e avance a partir das novas perguntas que surgirem.
Assim, você constrói um percurso de aprendizagem alinhado aos seus objetivos!
Formação em neurociência: qual caminho combina com você?
O caminho para estudar neurociência depende dos seus objetivos e da forma como você pretende aplicar esse conhecimento.
Veja algumas possibilidades:
- Interesse pessoal: livros, aulas e cursos livres introdutórios são boas opções para conhecer o campo e ampliar seu repertório no próprio ritmo.
- Aplicação no trabalho: cursos livres e formações complementares podem ajudar a relacionar conhecimentos da neurociência à sua área de atuação.
- Aprofundamento profissional: para quem já tem graduação, uma pós-graduação lato sensu pode oferecer uma formação mais estruturada, com certificado de especialização.
- Pesquisa científica: iniciação científica, mestrado e doutorado são caminhos para quem deseja investigar o funcionamento do sistema nervoso e produzir conhecimento científico.
- Atuação clínica: exige uma graduação e habilitação profissional compatíveis com a atividade pretendida. O diagnóstico e o tratamento de condições de saúde devem respeitar as competências e os limites legais de cada profissão.
Curso livre, especialização, mestrado e doutorado: o que muda
Existem diferentes formas de aprofundar os conhecimentos em neurociência, e entender as características de cada modalidade ajuda a escolher uma formação alinhada aos seus interesses.
- Curso livre: não exige formação prévia nem autorização do MEC, como os cursos livres da plataforma Casa do Saber +. Emite certificado, mas não confere grau acadêmico nem habilitação profissional.
- Especialização (lato sensu): é voltada a graduados, tem no mínimo 360 horas e deve ser oferecida por instituição credenciada.
- Mestrado e doutorado (stricto sensu): são formações de pesquisa, em programas avaliados pela Capes. É o percurso típico de quem quer ser pesquisador.
Existe faculdade de neurociência?
Existe, mas ainda é rara no Brasil. A Universidade Federal do ABC (UFABC) criou o primeiro bacharelado em Neurociência do país. O mais comum é chegar à área por outras graduações, como Biologia, Psicologia ou Medicina, e se especializar na pós.
Importante: estudar neurociência, seja em livros, cursos livres ou pós-graduação, não autoriza ninguém a fazer diagnósticos, prescrever tratamentos ou realizar procedimentos regulamentados. Isso depende da graduação e do registro profissional exigidos por cada profissão.
Onde estudar: livros, cursos e materiais confiáveis
Quer dar os primeiros passos na neurociência? Os livros são ótimos companheiros nessa jornada: ajudam a descobrir curiosidades sobre o cérebro, entender como aprendemos e explorar temas como memória, sonhos e comportamento.
Para começar, confira algumas leituras que podem despertar sua curiosidade e inspirar novas descobertas!
| Livro | Autoria | Por que ler |
|---|---|---|
| O cérebro nosso de cada dia | Suzana Herculano-Houzel | Textos curtos sobre o cérebro no cotidiano, do mito dos 10% ao bocejo contagioso |
| O cérebro aprendiz: neuroplasticidade e educação | Roberto Lent | Neuroplasticidade e educação em linguagem acessível |
| Neurociência e educação: como o cérebro aprende | Ramon Cosenza e Leonor Guerra | Referência para professores: atenção, memória e funções executivas |
| O oráculo da noite | Sidarta Ribeiro | A história e a ciência dos sonhos |
| Neurociências: desvendando o sistema nervoso | Mark Bear, Barry Connors e Michael Paradiso | Manual didático para aprofundar os fundamentos |
Cursos de neurociência na Casa do Saber
Para começar com orientação, sem exigência de formação acadêmica, os cursos livres são uma alternativa acessível.
Na Casa do Saber+, a trilha de Ana Carolina Souza funciona como um curso de neurociência para iniciantes.
Doutora em Ciências, mestre em Química e graduada em Ciências Biológicas pela UFRJ, ela assina quatro cursos:
- Introdução à Neurociência: motivação, atenção, memória, emoções e hábitos.
- Aprender a Aprender: neuroplasticidade, atenção, memória e aprendizagem.
- Neurociência para Desenvolver uma Mente Criativa: criatividade, repertório e associações.
- Saúde Mental e Estresse: Uma Visão das Neurociências: estresse, resiliência e saúde mental.
Os cursos emitem certificado de conclusão, mas, como todo curso livre, não equivalem a diploma nem habilitam para atividades regulamentadas.
Para graduados que buscam uma formação estruturada, a Casa do Saber oferece, com a Anhanguera, a Pós-graduação em Neurociência Aplicada à Saúde Mental e Bem-Estar, coordenada por Ana Carolina Souza.
A especialização é 100% online, tem certificação reconhecida pelo MEC e recebe profissionais de áreas como psicologia, saúde, educação, RH e gestão.
A grade vai dos princípios do sistema nervoso a aplicações em escolas, organizações e saúde pública. E o curso deixa claro que não habilita para atendimento clínico.
📖 Leia mais: Ana Carolina Souza: Uma cientista movida a emoção
Para seguir estudando
Se ainda há dúvida sobre por onde começar em neurociência, escolha um único ponto de partida: um livro, uma aula ou um dos cursos de neurociência da Casa do Saber.
Depois, avance conforme seus objetivos ficarem mais claros. A área é vasta, e não há pressa para dominá-la. Curta o processo!
Perguntas frequentes
É preciso ser médico para estudar neurociência?
Não. A neurociência é interdisciplinar, e qualquer pessoa pode estudar seus fundamentos em livros e cursos livres. A formação médica só é exigida de quem quer atuar como neurologista ou psiquiatra, por exemplo.
Qual curso fazer para começar a estudar neurociência?
Depende do objetivo. Para conhecer a área, um curso livre introdutório, como Introdução à Neurociência, da Casa do Saber, é um bom começo. Graduados que buscam aprofundamento podem seguir para uma pós-graduação; para pesquisar, o caminho é o mestrado e o doutorado.
É possível aprender neurociência sozinho?
Sim, é possível estudar neurociência sozinho, sobretudo os fundamentos. O principal cuidado é escolher bem as fontes, já que a área está cheia de neuromitos. Um curso com professores qualificados ajuda a organizar o percurso, mas, para pesquisar ou atuar profissionalmente, é preciso formação formal.

Verifique sua conexão e tente novamente.



.webp)