O existencialismo de Sartre é uma das vertentes da corrente filosófica do existencialismo que entende que a existência precede a essência.
Isso significa que você não nasce com um propósito definido. Você e suas ações são responsáveis por construir o caminho da sua existência.
Neste artigo, você vai entender como o pensamento sartreano entende a liberdade, a responsabilidade e as angústias que surgem a partir delas.
O que é o existencialismo em Sartre?
Primeiro, é importante resgatar o que é existencialismo. O existencialismo é uma corrente filosófica do século XX que tem como preocupação compreender a existência humana concreta a partir da liberdade, das escolhas e de suas consequências.
Alguns temas que esta vertente aborda são:
- Liberdade
- Angústia
- Autenticidade
- Propósito
Apesar de terem este ponto em comum, o existencialismo possui diferentes perspectivas. Já Sartre foi um dos principais autores desta corrente filosófica, assim como outros pensadores, como Albert Camus e Friedrich Nietzsche.
Quem foi jean-paul sartre?
Jean-Paul Sartre foi um filósofo e escritor francês do século XX que desenvolveu um pensamento focado na existência humana, na liberdade e na relação entre o indivíduo e o mundo.
Ele se tornou um dos principais nomes do existencialismo, propondo o debate, em sua última instância, sobre a liberdade humana, a angústia existencial e a responsabilidade do indivíduo.
Uma de suas principais obras é O Ser e o Nada (1943). Nela, Sartre propõe uma filosofia que considera o indivíduo livre para construir sua existência, não sendo dependente de valores já estabelecidos e de essências predeterminadas.
Sua célebre frase “a existência precede a essência” propõe uma nova perspectiva sobre o entendimento da essência humana.
O existencialismo de Sartre
Jean-Paul Sartre ficou conhecido por defender a liberdade radical. Para ele, o ser humano é o único ser capaz de construir a própria existência.
Como explica o professor Franklin Leopoldo no curso “Os Pensadores: Sartre”, quando o Sartre diz que a existência precede a essência, ele quis dizer que o ser humano não nasce com propósito definido ou uma essência fixa. Ou seja, primeiro, o indivíduo passa a existir no mundo e depois se constrói através das atitudes que toma.
Essa liberdade total traz consigo uma responsabilidade inevitável, causando a angústia existencial, já que somos os únicos responsáveis pelas nossas escolhas.
| Conceito | Significado |
|---|---|
| Existência | O existir no mundo antes de qualquer essência que determine o indivíduo. |
| Essência | Definição prévia e determinante do que algo ou alguém é. |
| Liberdade | Condição da existência que permite ao indivíduo construir suas escolhas e projetos. |
| Projeto | Projeção do indivíduo em direção ao futuro. |
| Angústia | Experiência que vem da liberdade e da ausência de regras externas para guiar as escolhas. |
| Situação | Conjunto de condições históricas, sociais que o indivíduo não escolheu, mas que precisa encarar e se posicionar. |
| Má-fé | Tentativa de fugir da liberdade e da responsabilidade. |
O que significa “a existência precede a essência”?
Para entender esta famosa frase de Sartre, é preciso compreender o que ele está dizendo para além dessas palavras.
Segundo o filósofo, não existe uma natureza previamente definida que determine o indivíduo. Isto é, o ser humano é, em sua origem, indeterminado, e aquilo que ele pode vir a ser é o resultado de um processo de construção.
A filosofia tradicional entende que a essência vem antes da existência. Contudo, Sartre inverte essa relação ao propor que a existência vem primeiro e, por isso, é marcada pela indeterminação.
O que caracteriza a existência, no caso do ser humano, é a indeterminação.
A essência seria aquilo que determina o que uma coisa é, como explica o professor Franklin Leopoldo. Então, se não existe uma essência anterior determinando a existência humana, não existe uma definição pronta de quem se é.
Portanto, a existência se mantém indeterminada e aberta às escolhas que serão feitas pelo próprio indivíduo.
O ser humano é, então, como um nada de onde tudo deriva.
A liberdade, a responsabilidade e a relação entre existência e essência ganham novas perspectivas no pensamento de Sartre, cuja obra também ilumina os vínculos entre subjetividade e história. Neste curso, Franklin Leopoldo e Silva apresenta os principais temas da filosofia sartreana e a repercussão de seu pensamento até os dias atuais.
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Liberdade e livre-arbítrio no existencialismo de Sartre
Se o indivíduo precisa construir a sua existência, ele terá de fazer escolhas, e essas escolhas se dão a partir da liberdade de tomar uma decisão.
Entretanto, liberdade não é somente ter a possibilidade de escolher entre alternativas. Como exemplifica Franklin Leopoldo, se existem três caminhos e é possível escolher qualquer um deles, pode-se considerar que se exerce o livre-arbítrio.
Entende-se o livre-arbítrio como um conjunto de possibilidades que são apresentadas. Porém, Sartre eleva a potência dessa liberdade ao inserir, nesse contexto, a criação de critérios pelos quais uma possibilidade será escolhida.
Nas palavras de Franklin Leopoldo, “a liberdade é como se fosse uma criação”.
Com isso, fica mais fácil entender por que Sartre não apresenta a liberdade como uma propriedade do indivíduo, exatamente porque ela participa da formação do ser humano.
O indivíduo se constrói por meio de suas escolhas que, segundo Franklin Leopoldo, Sartre chama de projetos.
Não há uma essência anterior que determine o caminho e o resultado dessas decisões. Então, tem-se um sujeito que se projeta em direção ao futuro e cria sua própria trajetória. “Aquilo que eu puder vir a ser será uma espécie de construção de mim mesmo.”, como aponta Franklin Leopoldo.
As escolhas moldam a realidade e, por isso, não se pode terceirizar a responsabilidade por aquilo que se escolhe fazer, já que as escolhas participam da construção da própria existência.
Liberdade, escolha e responsabilidade em Sartre
Sartre entende que as escolhas têm um peso decisivo na formação da existência do indivíduo. Com essa liberdade, vem a responsabilidade por aquilo que se faz.
Para o filósofo, ser livre não é um privilégio, mas uma condição da existência humana, ou seja, o indivíduo é responsável pelas escolhas que faz.
O ser humano está condenado a ser livre.
Uma vez que não existem valores absolutos ou regras já estabelecidas, cada atitude envolve uma responsabilidade que deve ser assumida pelo indivíduo, e assumir essa responsabilidade participa da construção do ser.
Ainda que Sartre reconheça que não se escolhe onde se nasce, em quais circunstâncias se nasce, como a classe social ou a época, ele diz que esse é o cenário da vida real, constituindo aquilo que chama de situação.
No entanto, a liberdade está naquilo que se faz com o que se apresentou na realidade, como explica Franklin Leopoldo. Sendo assim, a escolha diante das situações é feita pelo indivíduo.
A partir do momento em que liberdade e responsabilidade se encontram, até que ponto o ser humano é livre se ele não escolhe as circunstâncias que vive?
Essa é uma das tensões mais importantes do pensamento sartreano, porque o mundo já existe quando se nasce. Então, o indivíduo existe em um universo que já possui determinações que não foram escolhidas por ele.
Entretanto, o sujeito deve criar um sentido para si dentro daquela realidade, a partir da possibilidade de atribuir significado e de tomar decisões diante daquilo que lhe foi dado.
Não importa o que fizeram de você, o que importa é o que você faz com o que fizeram de você.
Por isso, Sartre diz que o indivíduo é livre em uma situação.
Por que a liberdade causa angústia?
A liberdade em Sartre pode ser vista como um fardo. Quando o filósofo diz que “o homem está condenado a ser livre”, ele reflete sobre o peso de não se ter um checklist a seguir na vida.
Ou seja, não existe nada, seja na religião ou na família, que determine previamente as decisões do indivíduo, colocando-o como responsável pela própria existência.
A partir disso, surge a angústia existencial. Essa angústia descrita por Sartre é a vertigem que sentimos diante do mar de possibilidades que a vida oferece. Ainda que se tenham referências de como se deve agir, elas não são determinantes para a decisão.
Por isso, Franklin Leopoldo compara essa experiência a uma “espécie de vertigem moral”, provocada pelo desamparo diante dessa decisão.
O que é má-fé Sartre?
A má-fé aparece na filosofia sartreana como uma maneira de escapar da angústia e da responsabilidade que acompanham a liberdade. Então, o indivíduo tenta convencer a si mesmo de que é totalmente determinado pelas circunstâncias da vida.
Portanto, a má-fé em Sartre é o autoengano, quando o indivíduo mente para si mesmo para fugir do peso da liberdade. Como escolher gera angústia, fingir que não se tem uma opção aparece como uma forma de fuga.
A objetificação dos outros
Por mais que Sartre desenvolva sua filosofia com foco no indivíduo, ele diz que a liberdade não é vivida isoladamente.
No livro O Ser e o Nada (1943), o autor aborda a relação com o outro e a maneira como podemos transformar outras pessoas em objetos quando tentamos defini-las a partir de uma conduta observada.
O filósofo também utilizava recursos literários para explicar sua filosofia. Um dos exemplos utilizados por ele e citado pelo professor Franklin Leopoldo é a metáfora do homem que observa pelo buraco da fechadura, presente em O Ser e o Nada.
Um sujeito está em um corredor olhando pelo buraco da fechadura, e quem o vê tende a rotular sua vida inteira por essa conduta momentânea. Assim como classificamos objetos pelas cores vermelha ou preta, essa pessoa acaba sendo reificada e transformada em um objeto. O observador congela aquele caráter passageiro que presenciou, fazendo dele um rótulo para a existência daquele sujeito.
Sendo assim, é possível transformar a pessoa em um rótulo, como se uma situação específica fosse capaz de definir toda a sua existência.
De acordo com o professor Franklin Leopoldo, o problema é que o outro também é sujeito e liberdade, então, não se pode reduzi-lo à imagem recortada que se constrói dele.
Na frase “o inferno são os outros”, da peça Entre Quatro Paredes (1944), Sartre aborda a relação de conflito entre diferentes liberdades e a tentativa de cada indivíduo definir o outro a partir da perspectiva que tem sobre ele.
Por que Sartre chama o existencialismo de humanismo?
Ainda que exista uma associação entre existencialismo e pessimismo, Sartre, segundo o professor Maurício Marsola, rejeita essa interpretação, porque essa vertente não é um niilismo, mas sim um humanismo.
O Humanismo foi um movimento intelectual que trazia o ser humano para o centro das reflexões, substituindo a visão religiosa que guiava a sociedade na época.
Então, Jean-Paul Sartre chama o existencialismo de humanismo porque coloca o ser humano como responsável pela construção da própria existência.
O existencialismo é um humanismo.
Essa famosa frase dá título a um texto do filósofo e ajuda a entender, de maneira geral, o pensamento sartreano.
Segundo o professor Maurício Marsola, ele apresenta o existencialismo como uma filosofia que olha o ser humano a partir de sua liberdade e responsabilidade.
Uma vez que não há uma existência pronta, o indivíduo não pode simplesmente esperar que algo anterior e determinado diga o que deve fazer da própria existência.
Essa visão atribui ao sujeito a responsabilidade por sua trajetória, ou seja, uma liberdade radical que traz uma grande responsabilidade para o ser humano, que precisa escolher o que fazer e o que ser em cada situação.
Portanto, o existencialismo é um humanismo na filosofia sartreana porque deposita a responsabilidade no potencial humano de se autoconstruir. Com isso, o existencialismo de Sartre traz um incômodo ao colocar o ser humano para responder pelas próprias escolhas.
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A responsabilidade da escolha: uma existência sem definição pronta
O existencialismo de Sartre parte da indeterminação da existência e coloca a liberdade como um elemento fundamental da experiência humana.
A partir dela, o filósofo discute escolhas, projetos, angústia e todas as consequências da liberdade que, em suas palavras, é uma condenação na existência humana.
Sua filosofia mostra uma existência marcada pela tensão entre a liberdade e as escolhas, o que faz da própria existência um problema que nunca se coloca um ponto final, como cita Leopoldo, “toda existência é sempre frustrante porque o sujeito termina de existir, morre, sem ter atingido a si mesmo”.
Perguntas Frequentes
O que é o existencialismo para Sartre?
O existencialismo em Sartre parte da ideia de que o ser humano não tem uma essência ou propósito previamente definidos, o que o torna responsável pela sua existência.
O que significa “a existência precede a essência”?
Significa que o ser humano primeiro existe e, depois, constrói o que será. Não existe, então, uma natureza prévia que determine quem ele é ou qual caminho deve seguir.
Por que Sartre diz que somos livres?
Sartre entende que o ser humano é livre porque não existe uma essência ou determinação anterior que defina completamente as escolhas. Mesmo diante das circunstâncias, o indivíduo precisa decidir o que fazer com elas.
O que é a angústia para Sartre?
A angústia é uma consequência da experiência provocada pela consciência da própria liberdade e da responsabilidade pelas suas escolhas.
O que é má-fé em Sartre?
A má-fé é uma forma de autoengano, uma tentativa do indivíduo de fugir da liberdade e da responsabilidade. Para isso, convence a si mesmo de que suas escolhas são determinadas pelas circunstâncias.
Referências
Curso Casa do Saber | Os Pensadores, com Franklin Leopoldo
Curso Casa do Saber | Os Existencialismos, com Mauricio Marsola

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