
A filosofia antiga nasceu na Grécia por volta do século VI a.C, quando os gregos passaram a buscar explicações racionais para os fenômenos e as coisas, rompendo com as justificativas sobrenaturais e míticas.
Alguns dos principais filósofos deste período são Tales de Mileto, Heráclito, Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles e tantos outros.
Seus pensamentos foram base científica para a ideia que temos sobre a ética, a política, o pensamento racional, a filosofia e a ciência.
O artigo abordará os seguintes tópicos:
O que é a Filosofia Antiga?
A filosofia antiga é um período filosófico que se encontra entre 585 a.C a 529 a.C. Ela surge basicamente pelo desejo do homem de tentar entender as coisas, os fenômenos naturais e os acontecimentos da vida a partir de explicações racionais.
Contudo, isso não significa que anteriormente não existiam explicações do real, mas as respostas do pensamento mítico já não eram mais suficientes.
Portanto, o pensamento filosófico-científico representa uma ruptura radical, mas gradual, com o pensamento mítico.
Por exemplo, para os gregos, os poetas clássicos como Homero, autor de Ilíada, eram figuras que tinham proximidade com as divindades, e os Deuses contavam para eles grandes histórias.
O nascimento da Filosofia Antiga
A filosofia antiga surgiu na Grécia, por isso também pode ser chamada de filosofia grega.
Ela se desenvolveu por diversos motivos, como:
- calendário;
- trocas culturais;
- contato com outras sociedades;
- conhecimento de outras tradições mítico-religiosas;
- transações comerciais.
Contudo, o fator decisivo foi o advento da pólis, que ampliou a participação dos cidadãos na política das cidades-Estado.
Esse ambiente de transformação levou o homem a buscar novas formas de compreender a realidade além dos mitos, dando origem ao pensamento filosófico-científico.
A importância dos primeiros filósofos está em terem criado as primeiras noções para explicar racionalmente o real, consolidando conceitos básicos das teorias da natureza, desenvolvidas pelos pré-socráticos.
Esses pensadores buscavam um elemento primordial, o arqué, capaz de unificar a realidade.
Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo, iniciou a crítica às explicações míticas ao afirmar que a água era o elemento fundamental, já que se manifesta nos três estados físicos.
Para os gregos, o cosmos era uma realidade ordenada, e a cosmologia passou a explicar os fenômenos naturais.
Em Heráclito, como explica o professor Paulo Niccoli Ramirez, logos significa razão, diferente de mythos, que é uma narrativa fantasiosa.
Assim, cosmos expressa a ordem do universo, enquanto logos é a razão que o interpreta, marcando a transição do mito ao pensamento racional na Grécia Antiga.

Períodos da filosofia antiga
As filosofia antiga, ou filosofia clássica, pode ser desenvolvida em 4 períodos:
Período pré-socrático (séculos VI a V a.C):
Recebem esse nome por serem os filósofos anteriores a Sócrates (470–399 a.C).
Embora muitas obras tenham se perdido, ainda se conhece fragmentos e citações graças a pensadores posteriores, como Aristóteles.
As principais características deste período são:
- a busca por entender o cosmos, a natureza e os fenômenos
- rompimento gradativamente com o pensamento mítico
- desenvolvimento do pensamento racional
- busca pelo arqué (elemento primordial)
- primeiros passos da cosmologia (estudo da origem do cosmos)
Os pré-socráticos são considerados os primeiros filósofos, e o principal nome é Tales de Mileto, que pode ser considerado o primeiro filósofo da história.
Período socrático (V a IV a.C):
O período Socrático também é conhecido como período clássico ou período antropológico.
A principal característica desta fase da filosofia antiga é o interesse pela política, ética e virtude.
Portanto, há um deslocamento do interesse filosófico do cosmos (universo) para o homem enquanto cidadão da polis.
Sendo assim, esse momento é marcado pelo cidadão que passou a se organizar politicamente, construindo a Democracia Grega.
Sócrates vivencia o momento em que Atenas está em seu auge político e filosófico. Com isso, seus pensamentos se desenvolvem sobre questões da vida humana, como a liberdade e a escravidão; a verdade e a falsidade.
“Agora não se trata mais da physis e, sim, do homem, da sua vida, do sentido da sua vida e da sua morte.” Professor Oswaldo Giacóia, Curso Trilha da Filosofia | 1ª Temporada.
Além de Sócrates, Platão e Aristóteles também foram nomes importantes para o período Socrático.
Platão era discípulo de Sócrates e um grande crítico da democracia grega. Segundo o professor Oswaldo Giacóia, ele buscava encontrar a verdade da política.
“[...] na República, que é o seu diálogo, talvez, principal, ele vai repudiar a democracia e vai tentar estabelecer um novo regime que tenha maior perfeição do que a democracia. [...] o conhecimento, também dependa da organização política.” - Professor Oswaldo Giacóia, Curso Trilha da Filosofia | 1ª Temporada.
Aristóteles, discípulo de Platão, buscou explicar a realidade por meio da razão e da observação. Além disso, valorizava a ação equilibrada, a ética como prática diária e colocava a democracia como forma mais justa de governo.
Período sistemático (IV a III):
Assim como o nome indica, o período sistemático buscou sistematizar o pensamento filosófico.
Ou seja, organizar de forma racional e científica, além de incorporar aspectos racionais e lógicos, as teorias e saberes desde o período pré-socrático.
Filósofos como Platão e Aristóteles podem ser considerados os mais importantes nomes do período sistemático.
Período helenístico (IV a fim da idade antiga):
O período helenístico é marcado pela decadência das polis e pela dominação do Império Macedônico.
Com o declínio do sistema político grego, a preocupação dos filósofos se voltou para o bem-estar individual, a ética e a virtude.
As principais características desse período são:
- declínio das polis
- criação das escolas filosóficas da antiguidade
- busca pela ataraxia
- preocupação com a ética e virtude
Os filósofos mais marcantes deste período foram representantes de importantes escolas, como Zenão de Cítio (estoicismo), Epicuro (epicurismo), Pirro (ceticismo), Cinismo (Diógenes de Sinope).
As primeiras escolas filosóficas da antiguidade
Os pré-socráticos foram os que deram início à busca racional pelas causas das coisas.
Ao proporem explicações naturais e que rompiam com o pensamento mítico, começaram a formar a base do pensamento filosófico ocidental.
Escola Jônica
A escola jônica dedicava-se às teorias da natureza (physis), buscando identificar o elemento primordial que estrutura tudo.
Tales de Mileto inaugurou a passagem do mito ao logos ao afirmar que a água era a origem de todas as coisas, o arqué.
Seus discípulos também procuraram o arqué: Anaxímenes indicou o ar; Heráclito, tido como o pai da dialética, viu no fogo o símbolo do movimento contínuo; e Anaximandro, principal aluno de Tales, propôs o indeterminado (ápeiron).
“[‘ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio’ é] um dos fragmentos mais importantes de Heráclito que significa tudo se encontra em fluxo, ou seja, tudo é mudança, tudo é engendramento e perecimento, tudo é vir a ser, tudo é movimento, tudo é transformação. - Professor Oswaldo Goiacoia, no Curso Trilha da Filosofia | 1ª Temporada.”
Apesar das diferenças, todos buscavam explicar a realidade sem recorrer ao mito, encontrando regularidades na própria natureza.
Frases dos filósofos jônicos:
- “A água é a natureza de todas as coisas” - Tales de Mileto.
- “Todas as coisas se originam devido ao grau de descondensação ou rarefação do ar, a mesma causa também do frio e do calor.” Anaxímenes.
- “Não podemos entrar no mesmo rio, porque o rio já não é mais o mesmo” - Heráclito de Éfeso.
- “Todos os seres derivam de outros seres mais antigos por transformações sucessivas” - Anaximandro.
Escola Itálica:
A Escola Itálica, Italiana ou Pitagórica, fundada por Pitágoras, recebeu esse nome por sua localização e por reunir várias escolas.
Ela mesclava reflexões filosóficas com elementos mítico-religiosos, marcando a transição do pensamento jônico para o italiano.
Para os pitagóricos, o elemento básico do cosmos era a matemática: o número representava a razão harmoniosa que organiza o mundo.
Assim, compreender a realidade significava identificar proporções, ritmos e relações que unificam o todo, inaugurando o vínculo entre matemática, metafísica e vida cotidiana.
Frases de Pitágoras:
- “A matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o universo”;
- “O universo é uma harmonia de contrários”;
- “Todas as coisas são números”;
- “A evolução é a lei da vida, o número é a lei do Universo, a unidade é a lei de Deus.”
Escola Eleata
A Escola Eleata também recebe este nome devido ao local onde foi fundada, na cidade de Eleia.
Sua ideia geral é que a realidade verdadeira é imutável e única e só pode ser alcançada por meio da razão.
Parmênides, considerado o fundador, revolucionou a forma de pensar ao afirmar que o ser é único, eterno e imóvel, negando a realidade do movimento e da mudança.
Apesar de se ter poucos fragmentos de suas ideias, ele foi o ponto inicial da filosofia do ser e a natureza do real.
“[...] o que nos resta de Parmênides são fragmentos de um grande poema, um poema filosófico, no qual a filosofia ainda não se separou da poesia [...] o poema intitulado Sobre a Natureza, que é justamente aquele documento no qual, pela primeira vez, se estabelece na Grécia clássica a filosofia do ser, o pensamento sobre o ser.” - Professor Oswaldo Goiacoia, no Curso Trilha da Filosofia | 1ª Temporada.
Zenão, seu discípulo, desenvolveu paradoxos para mostrar que aceitar o movimento leva a contradições. Os dois defenderam que apenas a razão, e não os sentidos, pode alcançar a verdade.
Essa escola inaugura a metafísica do ser e influenciará profundamente a próxima tradição filosófica.
Frases dos filósofos eleatas:
- "O ser é e o não-ser não é e não pode ser de modo algum". Parmênides
- “O que se move sempre está no mesmo lugar agora.” - Zenão de Eleia
Escola Atomista
Leucipo, fundador, e Demócrito, seu principal representante, defenderam que tudo no universo é composto por átomos e vazio.
Embora hoje essa noção seja compreensível, na época era impensável, a ponto de Platão depreciar o atomismo.
Para os atomistas, átomos indivisíveis em constante movimento formam todas as coisas, que se diferenciam pelos arranjos, choques e combinações dessas partículas. Quando reunidas, essas micro unidades compõem o mundo visível.
Assim, os atomistas criaram um dos primeiros modelos científicos da realidade, antecipando ideias presentes na ciência contemporânea.
Frases dos filósofos atomistas:
- “Definimos o que é doce, amargo ou as cores, mas a composição destas definições está nos átomos.” – Demócrito
- "Nada acontece ao acaso, mas tudo por uma razão e por necessidade" – Leucipo
Escola Sofística
A escola sofística trouxe uma nova perspectiva para a filosofia ao relativizar a verdade, indo de encontro com as ideias de Sócrates.
Portanto, o movimento sofista pregava que a verdade é subjetiva porque depende da perspectiva e contexto de cada indivíduo.
Os sofistas tinham grande interesse na retórica, na argumentação e pela educação cívica, pela formação política e pelo uso persuasivo da linguagem.
Não se sabe ao certo quem fundou a escola sofística, por isso também se utiliza o termo “movimento” para se referir a ela. Os principais filósofos sofistas são Protágoras e Górgias.
Posteriormente, Sócrates combateu as ideias sofistas assim como seus discípulos Platão e Aristóteles.
Da esquerda para direita, busto dos filósofos: Protágoras e Górgias. Arquivos da internet.
Principais frases sofistas:
- “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são.” – Protágoras
- “A persuasão aliada às palavras modela a mente dos homens como quiser”. – Górgias
As escolas helenísticas: filosofia como arte de viver
Após a morte de Alexandre, o Grande, a filosofia voltou-se para a vida prática, oferecendo caminhos para lidar com incertezas, paixões e desafios da vida.
Estoicismo
O estoicismo ensinava que uma vida boa nasce da harmonia entre razão e natureza.
O fundador do estoicismo é Zenão de Cítio. Outros nomes conhecidos desta escola são Sêneca e Marco Aurélio.
O Estoicismo diz que para que o homem, como parte da natureza, assegure a felicidade é preciso que tenha uma conduta ética.
Sendo assim, ela diz que o indivíduo deve se preocupar com aquilo que está sob o seu controle e aceitar o que não depende dele.
Então, ela ensina a agir de acordo com os princípios éticos construídos, porém também estar disposto a aceitar as consequências das ações.
Principais frases do estoicismo:
- “A felicidade é um bom fluxo de vida.” – Zenão de Cítio.
- "Pobre não é aquele que tem pouco, mas antes aquele que muito deseja" – Sêneca.
- "A felicidade de sua vida depende da qualidade de seus pensamentos" – Marco Aurélio.
Epicurismo
O epicurismo foi fundado por Epicuro. Essa escola valoriza a experiência imediata e, assim como o estoicismo, a felicidade é um princípio básico, que é entendida como ausência de perturbação.
Portanto, a vida ética para os epicuristas está na busca das alegrias simples, cultivar amizades e evitar excessos que gerem sofrimento. Para os epicuristas, o prazer não é imediato, mas sim um bem-estar perene e equilibrado.
Os principais nomes do epicurismo são Epicuro, Filodemo de Gadara e Tito Lucrécio.
Principais frases do epicurismo:
- “A felicidade não é atingida por grandes riquezas, mas pela ausência de dor no corpo e perturbação na alma.” – Epicuro
- "O objetivo deve ser conduzir suas vidas de forma a obter, em equilíbrio, o máximo de prazer e o mínimo de dor". – Tito Lucrécio.
Ceticismo
Pirro e Sexto Empírico são os principais filósofos do ceticismo. Eles defendiam que, diante da incerteza sobre a verdade, o melhor caminho é suspender o juízo.
Ao passo que se reconhece os limites da razão, o cético evita dogmatismos e alcança a ataraxia, a tranquilidade da alma.
Portanto, em vez de buscar certezas absolutas, adota a investigação constante e a flexibilidade intelectual, encontrando paz justamente na ausência de conclusões definitivas.
Principais frases do ceticismo:
- “A dúvida é o caminho para a tranquilidade.” – Pirro de Élis
- "Pode ser e pode não ser" – Sexto Empírico
📖 Leia mais: Ceticismo na Filosofia: o que é, origem e filósofos
Cinismo
Embora hoje o termo remeta à imprudência ou descaramento, o cinismo defendia uma vida extremamente simples, livre de convenções sociais e de desejos não naturais.
Seu fundador, Antístenes, discípulo de Sócrates, afirmava que a virtude e não o prazer conduzem à felicidade.
Diógenes de Sínope tornou-se seu seguidor mais famoso. Para os cínicos, o prazer afasta o ser humano do bem viver.
Seu desprezo por bens materiais e valores sociais rendeu-lhe a fama de “cão”, pela simplicidade que vivia a vida.
Principais frases do cinismo:
As paixões têm causas mas não tem princípios – Antístenes
Cirenaicos
A escola cirenaica, talvez a menos conhecida deste blog, foi fundada por Aristipo de Cirene, discípulo de Sócrates, na cidade de Cirene.
Ele defendia o hedonismo extremo, entendendo o prazer como finalidade suprema da vida.
Porém, o hedonismo cirenaico valorizava o prazer físico e imediato, diferentemente dos epicuristas que priorizavam a ausência de dor.
Assim, para os cirenaicos, a vida ética consiste em controlar os impulsos para aproveitar plenamente as experiências sensoriais agradáveis do presente, considerando a dor o mal que deve ser evitado.
O neoplatonismo e o fim da filosofia antiga
O neoplatonismo, formulado por Plotino, marcou o fim da filosofia antiga ao unir reflexão filosófica e experiência espiritual.
Para ele, toda a realidade deriva do Uno, princípio absoluto do qual deriva o Intelecto e a Alma.
Com a expansão do cristianismo, essa visão influenciou pensadores como Santo Agostinho, que reinterpretou o platonismo e abriu caminho para a filosofia medieval, transformando o neoplatonismo em uma ponte entre o mundo clássico e a tradição cristã.
Como o conhecimento é transmitido e adaptado ao longo do tempo, o pensamento antigo continua influenciando a sociedade ocidental.
Ética, política, ciência e educação ainda bebem dessa fonte ao usar métodos racionais, ideais de virtude e formas de investigação que moldam nossos modos de viver e pensar na atualidade.
Perguntas Frequentes sobre Filosofia Antiga
O que é filosofia antiga?
A filosofia antiga é o período que vai do século VII a.C. ao fim do Império Romano, marcado pelo surgimento do pensamento racional que rompe gradualmente com explicações míticas para compreender natureza, realidade e existência humana.
Quais são os períodos da filosofia antiga?
A filosofia antiga divide-se em quatro fases principais: pré-socrática, socrática, sistemática e helenística.
Quais são as principais escolas filosóficas da Antiguidade?
As principais escolas da antiguidade são: escola jônica eleata, pitagórica, atomista, sofistas, estóica, epicurista, cética, cínica, cirenaicos.
Quem são os filósofos mais importantes da filosofia antiga?
Os principais pensadores da filosofia antiga são Tales de Mileto, Heráclito, Parmênides, Sócrates, Platão, Aristóteles e diversos outros.
Qual é a diferença entre filosofia pré-socrática e helenística?
A pré-socrática investiga a origem e estrutura da natureza, buscando princípios do cosmos (physis). Já a helenística foca na vida prática, formulando possíveis caminhos éticos para alcançar tranquilidade, liberdade e felicidade.

Referências:
Casa do Saber. Curso Estoicismo - Mitos e Verdades de uma Filosofia Secular.
Casa do Saber. Curso Guia Essencial da Filosofia: Pensamento Clássico.
Casa do Saber. Curso Introdução à Filosofia.
Casa do Saber. Curso Trilha da Filosofia | 1ª Temporada.
REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia (coleção completa). Tradução de Álvaro Cunha; revisão de L. Costa e H. Dalbosco. São Paulo: Paulus, 1991.



